quarta-feira, 8 de setembro de 2010

 

   
 
   
 
Saúde e Negócios
1 de janeiro de 2010

Sistema de franquias atrai empresas que oferecem cirurgias, tratamento odontológico, planos de saúde e até financiamento para despesas médicas.

 

Os players do sistema de franchising costumam dizer que este modelo de negócios pode ser adotado em qualquer segmento, bastando algumas adaptações e boa dose de criatividade. Assim, não é de se estranhar o crescimento e a diversidade das franquias que atuam­ na área de saúde, desde clínicas especializadas em diversos tipos de cirurgia até unidades franqueadas que oferecem crédito para a realização destas operações.
 
Para se ter uma ideia, o segmento Beleza, Saúde e Produtos Naturais do franchising viu seu faturamento crescer 25,8% em 2008, em relação ao ano anterior. Note-se, porém, que a classificação da ABF considera todas as empresas que proporcionam oportunidades para uma melhor qualidade de vida e adoção de hábitos saudáveis, como academias de ginástica, clínicas de estética, salões de beleza e até locadoras de DVD e lojas de brinquedos e videogames, encarados como válvulas de escape do stress do dia a dia.
 
De acordo com a Franchise Store, loja de venda de franquias, o segmento de saúde e beleza (a classificação adotada é diferente da ABF), registrou alta de 19% no número de novos negócios entre janeiro e agosto de 2009. “Esta fatia do mercado é uma das que mais crescem a cada ano. Em termos de procura, o segmento ficou entre os primeiros no ranking de interesse dos investidores”, afirma a sócia-diretora da Franchise Store, Filomena Garcia.
 
 
Em novembro, a loja organizou uma semana especial para apresentar as redes Contours, Fitness Together, Sorridents, Pelé Club, Uniorto, Hoken Store, Onodera, Empório Body Store, Contém 1G, Farmais, Mahogany e Óticas Carol.
 
PROFISSIONALIZAÇÃO 
 
Uma das grandes vantagens do franchising na área de saúde é oferecer experiência em gestão e rotinas administrativas, o que deixa médicos ou dentistas mais livres para exercerem suas especialidades.

O executivo George Washington Mauro, com passagens por grandes empresas como o Grupo Pão de Açúcar, assumiu em novembro o posto de CEO da Sorridents com a meta de chegar a 2013 com 200 clínicas em operação no Brasil inteiro. Aos possíveis novos franqueados, os responsáveis pela rede enfatizam que não há a necessidade de formação universitária em Odontologia. “Participar de uma rede de franchising é bastante interessante para o dentista, já que existe suporte e segurança total com relação aos processos de administração da clínica. Mas para investidores que pretendem abrir uma clínica, basta contratar um odontologista como responsável técnico pela unidade”, explica o diretor de Franchising da Sorridents, Cleber Soares.
 
A expansão e profissionalização da rede também são objetivos da Memorial Saúde, que há dez anos atua na área de assistência médica ambulatorial e atualmente atende 140 mil vidas de clientes das classes C e D, em oito unidades próprias e 20 franqueadas no Grande Rio. “Já temos contatos com investidores interessados no negócio em São Paulo, Espírito Santo e Bahia”, comemora a gerente de Franchising do grupo, Cristiane Cézar.

Um dos cases de sucesso da Memorial Saúde envolve a valorização de uma unidade que foi recentemente repassada por um valor 35 vezes maior do que o investido cinco anos antes. O franqueado havia investido R$ 70 mil e revendeu a franquia por R$ 2,5 milhões. Segundo Cristiane Cézar, “o negócio é diferenciado; montamos unidades para vender planos junto a clínicas médicas. Assim, ao contrário dos hospitais que atendem aos convênios tradicionais, nossa captação de recursos é feita antes do atendimento”.

Outra iniciativa interessante na área do franchising em saúde é a Health­Cred, empresa de assessoria administrativa, que negocia financiamento ou parcelamento para quitar procedimentos médicos ou tratamentos dentários. A empresa não indica o médico ou dentista, apenas oferece crédito para consultas e cirurgias com especialistas em obstetrícia, oftalmologia, otorrinolaringologia, dermatologia, ginecologia, prótese mamária e até reprodução humana e impotência sexual masculina.
 
EMPREENDEDORES 
 
A área de saúde já abriu as portas do sucesso para diversos negócios criativos. Luis Cláudio Miranda, por exemplo, fundou em 2008 a administradora de cirurgias plásticas estéticas e reparadoras FitCorpus, no Distrito Federal, com o apoio do Sebrae, depois de ver suas lojas de informática quebrarem.
 
“A proposta era apenas administrar procedimentos cirúrgicos, mas senti a necessidade de abrir também a clínica de estética, já que muitos pacientes pediam indicações para fazer drenagem no pós-operatório”, conta Miranda.
 
A formatação para o sistema de franquias da FitCorpus foi lançada durante a Feira do Empreendedor do Sebrae-DF, em agosto deste ano. Em apenas duas semanas, surgiram mais de mil propostas de adesão, com a abertura de 24 unidades franqueadas até novembro.
 
Para Miranda, o sucesso se deve ao fato de o serviço apresentar um formato inovador. “Nossos clientes não precisam se preocupar com a compra de uma prótese, reserva do hospital, pagamento da cirurgia ou com o pós-operatório. Nós orçamos os tratamentos necessários, sejam estéticos ou reparadores, incluímos nossos honorários e fechamos um valor único”, diz.
 
 O caminho percorrido recentemente por Miranda já havia sido trilhado pelo médico Edson Ramuth­ muito antes, com a abertura da primeira unidade do Emagrecentro, em 1987. À época, Edson fazia resi­dência em Cirurgia Plástica. “No início, por conta da minha especialidade médica, oferecíamos os serviços de cirurgia plástica, mas com o passar dos anos focamos o trabalho em tratamentos de emagrecimento e estética. Começamos a operar no franchising em 1994. Até 2004, apenas médicos podiam comprar a franquia. Quando abrimos a oportunidade para outros empreendedores, crescemos muito rapidamente e agora temos 120 unidades em 20 estados, sendo apenas quatro delas próprias”, diz Ramuth.
 
As oportunidade do franchising em saúde se estende bem além de médicos e dentistas. O crescimento das redes de farmácias também comprova que o sistema de franquias é um bom negócio para o setor. “Para abrir uma unidade, não é preciso ser farmacêutico, mas será necessário contratar um profissional. Os farmacêuticos que atuam na rede são admitidos e controlados pelo próprio franqueado, depois de passarem por treinamentos com a franqueadora. O controle de medicamentos precisa ser feito na unidade franqueada”, esclarece Nelio de Castro Gomes, diretor da Central de Franquias & Bureau de Negócios, responsável pela formatação, no ano passado, da rede Mil Drogarias. A empresa tem forte presença no Noroeste paulista, principalmente em São José do Rio Preto, abriu em setembro a primeira franquia fora do estado, em Niterói (RJ), e pretende chegar ao final de 2010 com 50 unidades.

Esse crescimento merece um brinde: à sua saúde. (R.V.)
Fonte: Revista Franquia & Negócios - ABF
 
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